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Do mesmo modo que trazem riscos, as mudanças climáticas também apresentam novas oportunidades de negócios, como demonstram, na prática, as diversificadas linhas de crédito socioambientais oferecidas pelo Bradesco. Esses financiamentos facilitam a obtenção de certificação florestal, a adaptação de veículos para uso de gás natural, a aquisição de aquecedores solares e a destinação de recursos a projetos de reflorestamento. Além disso, no âmbito do Protocolo de Kyoto, temos incentivado os clientes a executar projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Número de companhias com as quais a Organização tratou de
riscos e oportunidades ambientais em 2007
Crédito de carbono 21
Análise de risco socioambiental 11

Crédito responsável

Nossa política de crédito estabelece que, em todas as solicitações, independente da modalidade ou finalidade da operação, os analistas devem identificar a existência de risco cambial, risco de imagem, risco de performance e risco socioambiental, além de verificar a situação econômico-financeira da empresa ou do grupo econômico.

Os “Princípios do Equador”, aos quais aderimos em setembro de 2004, formam um conjunto de critérios e diretrizes estabelecido pela International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial. Tais princípios devem ser seguidos pelos bancos signatários, no processo de avaliação dos impactos socioambientais referentes às solicitações de crédito para projetos corporativos (project finance), novos ou em fase de expansão, com valor total igual ou acima de US$ 10 milhões.

Para serem aprovados, é necessário que os projetos cumpram determinadas regras, levando em conta, entre outras variáveis, a avaliação do impacto sobre o meio ambiente, a exigência de alguma forma de compensação para populações afetadas por um empreendimento (a construção de uma hidrelétrica, por exemplo), a proteção a comunidades indígenas e a proibição de financiamento que apresente riscos de utilização de trabalho infantil ou escravo. Portanto, somente deve ser concedido empréstimo aos projetos que possuam plano de gestão socioambiental, com foco na mitigação, planos de ação, monitoramento e gerenciamento de riscos e planejamento, levando-se em conta a seguinte classificação:

Categoria A: alto risco, ou seja, com possibilidade de apresentar significativos impactos ambientais irreversíveis;

Categoria B: médio risco;

Categoria C: baixo risco, com possibilidade de apresentar mínimo ou nenhum impacto ambiental adverso.

Em 2007, um total de 11 projetos avaliados pela área de crédito do Bradesco, correspondendo a aproximadamente R$ 7 bilhões, se enquadraram nos critérios estabelecidos pelos Princípios do Equador. Os projetos financiados são do setor energético, hospitalar e químico.

Projetos financiados por categoria de risco
2006 (*) 2007
Alto risco (A) - 3
Alto risco (B) 7 8
Alto risco (C) 0 -
  1. (*) O Relatório de Sustentabilidade 2006 registra a avaliação de 11 projetos no período. Desse total, porém, quatro operações foram efetivamente contratadas em 2007.

Para conhecer mais detalhes sobre os Princípios do Equador, acesse www.equator-principles.com

Energia renovável

Em 2007, o Banco Bradesco BBI tornou-se um dos acionistas (com 9,87% das ações em poder do seu Fundo de Investimentos em Participações – FIP) da Empresa de Investimento em Energias Renováveis S.A. (ERSA). O foco do negócio são as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que, nesta etapa de estruturação da companhia, devem representar pelo menos 50% da carteira de projetos – biomassa de cana-de-açúcar e de madeira e energia eólica.

Criada no fim de 2006 pelo Pátria Investimentos, com o objetivo de desenvolver projetos de geração de energia a partir de fontes renováveis, a ERSA contabilizava, até o final do ano, recursos de R$ 479 milhões. Possui um ambicioso plano de negócios, que contempla investimentos da ordem de R$ 2 bilhões e a geração de 600 MW de energia, nos próximos cinco anos.

Com um portfólio de 16 projetos de PCHs, que representam 207 MW de potência instalada, obteve licença prévia para 13 deles, e 95% da energia a ser gerada (a partir de 2010) já foram comercializados em leilões do governo e para clientes livres. Além do Pátria (41,05%), e do Banco Bradesco BBI, também são acionistas o fundo norte-americano Eton Park (38,26%) e o banco alemão Deutsche Investitions und Entwicklungsgesellschaft mbH (DEG), braço de fomento para países em desenvolvimento do KFW (10,82%).

Fundo sustentável

O Bradesco participa de uma iniciativa inédita no País: a administração do recém criado Fundo Brasil Sustentabilidade, o primeiro entre fundos de private equity (que investem em empresas promissoras) escolhido pelo BNDES para se integrar ao seu Programa de Desenvolvimento Limpo e participar do nascente mercado de crédito de carbono.

O novo fundo será gerido pela Latour Capital e terá com um dos principais investidores o BNDES. Os serviços de tesouraria, contabilização e custódia serão prestados pelo Banco Bradesco S.A.

Os investimentos do Fundo Brasil Sustentabilidade destinam-se exclusivamente às empresas cujas atividades se associem a projetos com potencial de geração de Reduções Certificadas de Emissões (RCEs), no âmbito no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto pelo Protocolo de Kyoto. Nesse sentido, as áreas mais promissoras são as de biocombustível, energia renovável, eficiência energética e reflorestamento.


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